Pesquisa com planta do Cerrado pode gerar alternativa natural para tratamento da mastite bovina.
Uma estudante do curso Bacharelado em Zootecnia do IFMT São Vicente teve um projeto aprovado no Programa Centelha 2025. A proposta foi a mais bem colocada entre as submetidas por discentes em Mato Grosso.
O Centelha, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é uma iniciativa de empreendedorismo inovador que oferece recursos financeiros, capacitação e suporte para transformar ideias inovadoras em negócios. O programa tem execução descentralizada, realizada na maioria das unidades federativas pelas Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais.
Em Mato Grosso, dos 47 projetos aprovados, 13 são do IFMT. Na edição lançada em 2025, o Centelha chega a todos os 26 estados e ao Distrito Federal com a expectativa de apoiar mais de 1.100 projetos pelo país.
Cada equipe receberá R$ 136 mil em fomento, sendo R$ 86 mil para execução do projeto (compra de materiais de laboratório, etc) e R$ 50 mil em bolsas do CNPq para bolsistas em cooperação técnica.
A estudante e pesquisadora Thays Bossio Gonçalves de Campos cursa o 5º semestre do curso Bacharelado em Zootecnia e apresentou como projeto a proposta de um fitoterápico à base do óleo da casca da Cabralea canjerana (Cerrado), nomeado Canjelac, para controle da mastite bovina, causada por Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae.
De acordo com ela, “a planta tem histórico antimicrobiano, mas o óleo comercial da casca nunca foi testado, é o que propomos. Se confirmado, será um produto natural inovador, reduzindo resíduos de antibióticos no leite. O diferencial é valorizar a biodiversidade brasileira com uma solução sustentável”, destaca Thays.
Ela tem como supervisor científico o professor Alessandro Ferronato, Doutor em Agricultura Tropical/UFMT, com experiência em metodologias laboratoriais e empreendedorismo, e a ideia do Canjelac surgiu a partir da curiosidade da estudante sobre o potencial da planta.
“Eu sempre quis pesquisar sobre a canjerana porque meu pai sempre falava que a madeira desta planta era muito boa e também dizia que ela ajudava as galinhas a botar mais ovos. Não existe comprovação científica disso, mas um dia pensei: ‘e se ela tiver potencial antimicrobiano?’. A partir daí comecei a pesquisar sobre a planta, seus compostos e propriedades. Quem me motivou muito no início foi o professor Adriano Jorge, ele me incentivou a inscrever o projeto”, relata Thays.
O professor Alessandro Ferronato destaca que os próximos passos do projeto envolvem a realização dos ensaios laboratoriais para avaliar a eficácia do óleo sobre as bactérias causadoras da mastite, além da formalização da empresa e dos trâmites junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) para recebimento dos recursos do programa. “Na sequência, caso o óleo apresente efeito sobre as bactérias, a proposta é desenvolver uma fórmula intramamária para aplicação em vacas leiteiras”, explica.
“Não há produtos comerciais à base de Cabralea canjerana para mastite. Diferentemente dos antibióticos convencionais, que enfrentam crescente resistência bacteriana, o CANJELAC propõe uma alternativa natural, com potencial mecanismo multi-alvo e menor impacto ambiental”, explica a estudante.
Se comprovada a eficácia, o produto poderá oferecer ao produtor redução de custos com tratamentos e menor descarte de leite; ao animal, bem-estar; ao consumidor, leite livre de resíduos químicos; e ao meio ambiente, uma opção biodegradável alinhada à sustentabilidade.



